Com celulares ligados, plateia ajuda adolescentes a escapar de dentro do próprio aparelho no espetáculo BUG.

17:41:00

BUG apresenta ao público a história de Serafina, uma menina descolada que, no auge dos seus 12 anos, não quer saber de desligar o celular. Ela dorme, acorda e almoça mexendo no aparelho, mesmo com a mãe alertando sobre o seu uso excessivo. Certo dia, Serafina é sugada para dentro do telefone e deve correr contra o tempo para se libertar antes que a bateria acabe e ela fique presa para sempre no mundo de Vício, um vilão que torna escravos todos os “seres gigantes que habitam o mundo lá de fora”.





Para ajudá-la a encontrar a saída, Serafina conta com a ajuda da Bateria, uma espécie de oráculo que a orienta a seguir o “Circuito de Luzes Amarelas”, onde finalmente a menina encontrará os Três Ícones que saberão lhe indicar o caminho correto para sair de dentro do celular.

O WhatsApp é o ícone mais falante. Ele conversa tanto que, por vezes, erra o que está dizendo por culpa do corretor. A Waze é determinada e sempre sabe muito bem para onde está indo. Antenada, ela conta aos amigos sobre quem vai às maiores festas do mundo dos aplicativos e sabe tudo sobre os últimos causos, como o recente namoro do Youtube com a Netflix. Quem não gosta nada dessa história é o Orkut, que anda meio esquecido e chora toda vez que não é convidado para passear com os outros ícones.


Juntos, eles auxiliam Serafina a viajar pelo depósito abandonado dos SMSs e conversar com o Organizador Maluco, que parece ter a chave para ajudar Serafina a voltar para o mundo real. Tudo isso acontece em meio às tentativas de Vício para que o celular vire o novo lar da menina. Ele não vai abrir mão de usar redes sociais e jogos viciantes como o Candy Crush para não perder Serafina. O espetáculo tem ainda muitas surpresas interativas com o público, que, ao contrário do que em outras peças, deve manter os celulares ligados e ficar bem atento a eles.

Os idealizadores do espetáculo, Fernanda Bassani e Carlo Felipe Pace, contam que os Três Ícones são uma nítida referência ao Espantalho (WhatsApp), Homem de Lata (Waze) e Leão (Orkut), personagens eternizados no livro O Mágico de Oz, de L. Frank Baum. Sobre a escolha da homenagem, Carlo explica que L. Frank Baum era de uma corrente de escritores que acreditavam que a literatura infantil devia entreter e divertir, não moralizar, incitar a plateia à discussão sobre um tema, ao invés de trazer uma resposta pronta.

“Foi isso que buscamos no roteiro de BUG. Não criticar determinadas atitudes diante dos celulares, mas propor um questionamento de impressões sobre a tecnologia que são tomadas muitas vezes como verdades absolutas. A tecnologia da comunicação, os celulares, as mídias sociais, a realidade digital. Tudo isso é bom ou ruim? Dependendo da forma como nos relacionamos com cada coisa, pode ser algo benéfico ou não. Não existe essa resposta na peça”, completa Carlo.

Carlo comenta ainda que a peça evoca o simbolismo e a representação das transformações da adolescência a partir do momento em que Serafina é transportada para um lugar fantástico com a lógica absurda dos sonhos. A ideia também tem referência no clássico Alice no País das Maravilhas (Lewis Carrol) e no Mito da Caverna, desenvolvido pelo filósofo Platão na obra A República.

“Assim como nas sombras projetadas no fundo da caverna, da parábola escrita por Platão, o que temos no mundo virtual seria uma representação do mundo natural e não as coisas em si. Porém, a Gen Z (Geração Z, definida por serem nativas digitais) está familiarizada com uma nova realidade de elementos que existem exclusivamente no mundo virtual, o que, de certa forma, acaba distorcendo a forma como compreendemos e interpretamos o mundo natural. Basta ver os inúmeros estudos sobre a influência psicológica gerada por mídias sociais", comenta Fernanda Bassani.



BUG. 
Estreia dia 1º de outubro, sábado, às 16h.


Teatro Espaço Promon

Av. Pres. Juscelino Kubitschek, 1830 – Itaim Bibi.
Temporada: Sábados e domingos, 16h*. Ingressos: R$20 (inteira) e R$10 (meia).
Classificação: Livre. Duração: 50 minutos. Capacidade: 290 lugares.

A bilheteria abre duas horas antes do espetáculo.

Telefone da bilheteria: 3071-4236. Estacionamento: R$20 (preço único).


* Nas sextas-feiras há sessões gratuitas às 10h e às 15h para escolas públicas, ONGs e Instituições mediante agendamento. O agendamento pode ser feito pelo site producao@imagini.art.br ou pelos telefones  (11) 2866-5923 e (11) 98934-2969.

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