Por que as células-tronco da polpa do dente de leite são tão especiais

16:13:00

A troca dos dentes de leite faz parte de uma fase muito importante da vida da criança. Geralmente, o momento é cercado de crenças, como jogar o dente em cima do telhado em troca da realização de um pedido ou guarda-lo embaixo do travesseiro para a fada do dente. Confesso que faço todos esses procedimentos. Mas imaginou a possibilidade de salvar seu filho com as células existentes no dente de leite?


Porém, infelizmente, poucos familiares sabem que aquele dente pode servir para o tratamento de diversas doenças.
De acordo com Nelson Tatsui, Diretor-Técnico do Grupo Criogênesis e Hematologista do HC-FMUSP, a polpa do dente de leite é fonte de células-tronco, que se destaca das outras pela grande concentração celular e pela facilidade de obtenção. “O grande diferencial do dente de leite é a presença de células-tronco do tipo mesenquimal. Estas células têm a capacidade de, em laboratório, se transformar em uma variedade de outras células destinadas a reparação de tecidos. Além disso, por serem muito jovens, multiplicam-se com mais velocidade. Seu potencial é tão grande que apenas um dente já é suficiente para que as células se estabeleçam em cultura”.


Por que a coleta de células-tronco da polpa de dente de leite é tão importante? Para Tatsui, trata-se de um investimento no futuro. “Tal como acontece há mais tempo já com o armazenamento das células-tronco do sangue e do tecido do cordão umbilical, a polpa do dente de leite segue o mesmo caminho promissor. Diversas pesquisas estão em andamento e indicam a capacidade do material de originar vários tecidos humanos como osso, gordura, cartilagem e músculo. Cabe ainda continuar os estudos clínicos nesta área, no entanto, os resultados iniciais já são suficientes para trazer enorme otimismo”.


COLETA E ARMAZENAMENTO

Por se tratar de um processo natural, pois a queda do dente ocorre na maioria das crianças entre 5 e 12 anos de idade, o momento da coleta é indolor. É importante lembrar, porém, que para que as células-tronco do dente de leite possam ser aproveitadas, a retirada deve ser realizada por um dentista, como explica o Dr. Gabriel Politano, responsável pela área de células-tronco da polpa do dente de leite da Criogênesis: “retiramos as células-tronco da polpa do dente daquele pedacinho de carne que está grudado no dente. Assim que a polpa é removida, enzimas são aplicadas para retirar as células da mesma. O material deve ser acondicionado em um kit específico de transpor te e enviado imediatamente à clínica de armazenamento para o devido processamento laboratorial. No entanto, caso o dente venha a cair antes da consulta, é necessário que a família possua o kit de transporte para  o acondicionamento correto”.

Investimento - Para realizar o procedimento, o custo é de cerca de R$ 2.000 pela coleta das células e uma anuidade que varia de R$ 300 a R$ 400 para a conservação delas. “Muitos acham que o procedimento é caro, mas esquecem das condições atuais do país, como a crise que afeta os programas de saúde pública. Neste cenário, os diversos estudos e investimentos na área fazem da coleta um investimento preventivo para as famílias. Além disso, por serem células imunocompatíveis, podem servir não só ao doador, mas também a outras parentes, como um irmão, por exemplo”, destaca Tatsui.

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