Gagá no Teatro Alfa

Gagá conta a história de Lelé e Tantã. O enredo, em dois atos, é simples. Ele e ela são amigos. Ou casados há 70 anos. Ou são Adão e Eva. Carregam em si a alma dos palhaços becketianos. Vivem aparentemente felizes num espaço sem portas nem janelas. Passam o tempo divertindo-se com jogos e lembranças. Os personagens passeiam pelo absurdo e pelo patético, alternando humor, memória e lirismo para mostrar que todo tempo é um grande movimento circular da vida. O cenário representa um não-lugar, onde tudo é branco porque a memória é branca: uma cama de ferro branca, um alto-falante branco e uma escada branca que leva ao céu. Pelo alto-falante, que é a única ligação com o mundo exterior, sai música. Dançar ainda é uma diversão possível. Lelé e Tantã só acreditam, como Nietzsche, num divino que dança.

Para o público, a leitura pretende ser livre: podem ser duas crianças brincando num quarto de dormir. Podem ser dois velhos doidos num asilo. Podem – para o adulto mais ilustrado – pode ser a representação da nossa condição humana. O segundo ato é anunciado por badaladas de sinos. Pela escada desce Gagá, numa réstia de luz. Ele é o próprio deus, o cuidador, o dono do asilo, o pai das crianças. Traz a comida do dia. Afinal, é o provedor da vida: vem sempre, cuida dos machucados, ouve as culpas, alimenta o que sobrou da alma, põe os dois para dormir e some. Mas hoje o destino de Gagá vai ser diferente.

Lelé e Tantã jogam suas últimas fichas com um plano. Digressões, gags e brincadeiras com a falta de memória do trio (Alzheimer ou mentira?), e a situação é lentamente invertida: Gagá vira a criança, permite-se usar fralda e é colocado na cama para, enfim, dormir tranquilo. O sono de deus permite a fuga. Lelé e Tantã sobem pela escada e desaparecem. Abandonam o tutor, a culpa, o medo, as regras e qualquer forma de opressão e realizam o eterno sonho da espécie: a liberdade.   As consequências desse livre-arbítrio não cabem num único espetáculo e a peça, no teatro, acaba.


Espetáculo infantil
Reestreia dia 14 de abril, sábado, às 16 horas, na Sala B
Temporada: Sábados e domingos, às 16 horas.  Até 29 de abril.
Classificação Livre (recomendado para crianças a partir de 3 anos).

Ingressos: R$ 40,00 (inteira para adultos) e R$ 20,00 (meia para crianças, estudantes e maiores de 60 anos).


Teatro Alfa
Rua Bento Branco de Andrade Filho, 722

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