SAÚDE. Doenças de pele aumentam pelo estresse na pandemia

Estressores psicológicos são gatilhos para deflagração e piora de quadros cutâneos, que vão desde queda de cabelo até doenças mais graves conhecidas como psicodermatoses. Segundo um levantamento recente da Universidade Estadual do Rio de Janeiro publicada na principal revista científica internacional - The Lancet - as questões psicológicas durante a pandemia aumentaram 90% e os casos de estresse e ansiedade mais que dobrou.



Passados mais de 100 dias de incerteza e estresse, o maior órgão do corpo é o que mais sente os efeitos da pandemia - a pele. A médica Dra Ana Carolina Rocha, professora de cosmiatria desde 2005, doutoranda e palestrante internacional no assunto, conta porque isso acontece e como reverter este quadro.


"O estresse vivido por este momento aumenta a inflamação e a liberação de uma série de hormônios (como o cortisol, adrenalina e derivados) que interferem em receptores e neurotransmissores em diversas regiões do corpo. A pele é, não apenas um canal imediato de situações de estresse, como um alvo para algumas respostas ao estresse (os mediadores do estresse atuam nela, promovendo respostas inflamatórias e até imunológicas).


A pele e o sistema nervoso têm a mesma origem embrionária, e permanecem ligados por toda a nossa vida. A pele é um órgão sensorial que permite a sensação térmica, a termoregulação, a capacidade sensitiva de tensão mecânica, da dor. "Se ficamos envergonhados ou emocionados nossa pele exprime essas emoções através da ruborização e dos arrepios. Enfim, tamanha é a complexidade das funções da pele em conexão com terminais nervosos que este tema vem sendo trazendo novas descobertas científicas", sinaliza a médica.


O estresse aumenta a liberação de células inflamatórias, reduz a imunidade e aumenta o estado de alerta na pele, promovendo maior incidência de alergias, acne, dermatites, urticária. "Quando o grau de estresse é elevado ou cronificado, doenças mais sérias (como as autoimunes) podem se apropriar do momento e serem deflagradas, em indivíduos predispostos", explica.


Enquanto a acne aparece por aumento da oleosidade e inflamação dos poros, com infecção, gerando as tão conhecidas espinhas e cravos, as demais inflamações provocam outros sintomas a serem observados no contexto individual do paciente. A dermatite causa vermelhidão, coceiras e até mesmo bolhas. Outras condições pioradas podem ser a urticária, uma reação alérgica que pode aparecer por meio de vergões na pele. Temos recebido muitos casos de urticária generalizada, de difícil tratamento, em que é preciso "desligar" os fatores psicoemocionais envolvidos de forma pontual.


Para tratar e prevenir, a médica lembra que é importante manter uma rotina de cuidados específicos para cada tipo de pele, respeitando a sazonalidade (o inverno requer mais cuidados, e evitar água quente) e a individualidade do paciente. Atividades que promovem bem-estar e saúde, como a prática de exercícios físicos, meditações e técnicas respiratórias, também são grandes aliados para minimizar os efeitos do estresse.


Muitas vezes o paciente chega a tentar esses recursos, mas não consegue sozinho, ou possui recidivas sucessivas das alergias e outros problemas de pele, afetando drasticamente sua autoestima. Esse paciente necessita de um tratamento individualizado, e, por vezes, multifatorial.


Sobre Dra Ana Carolina Rocha

CRM 28542-DF

Médica, mestre e doutoranda em preenchimento (UFG), formação em Dermatologia pela Academia Brasileira de Dermatologia - ABD e mais 4 pós-graduações, Fellow internacional do Texas Institute of Dermatology - San Antonio - TX - EUA.

Palestrante internacional premiada pela International Society of Dermatology em 2017.

http://anacarolinarocha.com.br/



Nenhum comentário:

Postar um comentário

Sampa Com Crianças no Instagram