Nascimento de mico-leão-preto na Fundação Zoológico em São Paulo

Garantir o futuro do mico-leão-preto (Leontopithecus chrysopygus) é uma das prioridades da Fundação Parque Zoológico de São Paulo. Desde 1986, a instituição concentra esforços na manutenção e reprodução bem sucedida desta espécie considerada rara e ameaçada de extinção. 



O reconhecimento dos trabalhos desenvolvidos para conservação deste primata na Fundação Zoológico e em outras instituições culminou com a publicação do Decreto Estadual N° 60.519 de 05 de junho de 2014, onde declara o MICO-LEÃO-PRETO como Patrimônio Ambiental do Estado de São Paulo e animal símbolo da conservação da fauna no Estado.


Em 16 de agosto de 2020, o Zoológico de São Paulo registrou o nascimento de dois micos-leões-preto em uma área interna e restrita conhecida como “Micário”, local destinado à reprodução de três das quatro espécies de micos-leões existentes: mico-leão-preto (Leontopithecus chrysopygus), mico-leão-da-cara-dourada (Leontopithecus chrysomelas) e mico-leão-dourado (Leontopithecus rosalia). Este espaço, construído exclusivamente para abrigar os micos, reflete o compromisso institucional no desenvolvimento de estratégias para a manutenção de espécies geneticamente viáveis para futuros programas de reintrodução e reforço das populações na natureza.



Com a chegada dos novos moradores, a população de mico-leão-preto na Fundação Zoológico soma agora 35 indivíduos, sendo esta a maior do mundo mantida sob cuidados humanos. A Fundação Zoológico é uma das poucas instituições que consegue reproduzi-la em cativeiro, fato muito relevante para o futuro da conservação deste raro primata. 


De acordo com o censo realizado no ano de 2019 com a espécie, a população cativa global é composta por apenas 61 indivíduos, número muito reduzido para um programa de conservação em longo prazo. Na natureza, a situação também é preocupante: a população está estimada em 1.400 indivíduos, apresentando um declínio continuado relacionado principalmente à perda, fragmentação e desconexão de habitat.


Única espécie de primata endêmica do estado mais populoso e desenvolvido do país – São Paulo, o mico-leão-preto está na categoria "Em Perigo de Extinção", tanto na lista nacional como na classificação internacional da IUCN (International Union for Conservation of Nature).


Foi vítima da crescente e desordenada ocupação humana, que avançou sobre seu habitat e o reduziu a poucos fragmentos isolados e altamente impactados pela ação do homem. O impacto foi tão grande que a espécie chegou a ser considerada extinta por mais de seis décadas, mas surpreendeu a comunidade científica ao ser novamente avistada em 1970, no Parque Estadual Morro do Diabo, no extremo oeste do estado de São Paulo.


Uma das ações para a conservação da espécie é a reprodução em cativeiro. Para isso, o manejo é guiado por estudos genealógicos das populações cativas de todo o mundo, que são reunidas em um livro chamado Studbook. Através dessas informações e parcerias de Zoológicos com instituições mantenedoras de mico-leão-preto, são selecionados animais visando alcançar o sucesso reprodutivo. Após o processo de seleção, são realizadas recomendações para a formação de casais levando em consideração a estrutura genética e demográfica das populações mantidas sob cuidados humanos. Já a etapa seguinte contempla o intercâmbio entre as instituições para viabilizar o manejo reprodutivo.


Por recomendação do Plano de Manejo do Mico-leão-preto, em março de 2017, a Fundação Zoológico enviou ao Durrel Wildlife Conservation dois machos e uma fêmea da espécie a fim de aumentar a população de segurança ou back-up de micos no mundo. Em julho de 2018, dois micos haviam nascido nesta instituição internacional que tem como propósito salvar espécies ameaçadas da extinção, sendo a mãe oriunda do Centro de Primatologia do Rio de Janeiro e o pai, da Fundação Zoológico. Nos anos seguintes, outros nascimentos foram registrados - um resultado muito promissor para a conservação do mico-leão-preto! 


Nestes últimos meses, a Fundação Zoológico também registrou outros importantes nascimentos de espécies nativas ameaçadas de extinção, tais como a arara-azul-de-lear e o sagüi-da-serra-escuro, reafirmando assim, o seu compromisso com a conservação da fauna.


Os filhotes irão permanecer com os pais por um longo período, recebendo todos os cuidados necessários para o pleno desenvolvimento. A dieta do mico-leão-preto na Fundação Zoológico é composta por cenoura, beterraba, abóbora, mamão, melão, maçã, ração específica para primatas, ovos e carne de frango cozidos. Como complemento nutricional, o primata recebe também grilo, tenébrio e baratas de espécies distintas.


A área de exposição do Zoológico possui as três espécies de micos-leões mencionadas no texto para ações de educação ambiental e conscientização junto ao público visitante.

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